O carnaval do crowdfunding

materia escrita por Raul Perez e publicada originalmente em 15_02_12 no site Cultura e Mercado

O período mais festivo do ano se aproxima e, com ele, diversas oportunidades de celebração. Quem promove as festas, no entanto, já está há um bom tempo planejando tudo para a hora de botar o bloco na rua. Em 2012, os projetos carnavalescos, assim como diversos outros, parecem ter encontrado no crowdfunding, uma alternativa para financiar seus trabalhos.

Rodrigo Maia, do Catarse, afirma que a prática essencial do financiamento coletivo sempre esteve presente na festa, “nas escolas de samba, que vendem a experiência de desfilar em troca da ‘recompensa’, nos bloquinhos carnavalescos, que se juntam e passam o chapéu com seus foliões, ou no espírito colaborativo que emana dos barracões e diversos blocos de rua”, ele explica.

Seguindo essa lógica, o bloco brega Fogo & Paixão resolveu apostar no crowdfunding. No ano passado, quando o bloco fez sua estreia, foi financiado pelos cerca de 80 integrantes que contribuem com uma verba mensal na época dos ensaios. Assim, os organizadores conseguiram pagar o estúdio e investir na infraestrutura do desfile-parado. Em 2012, a ideia foi abrir a possibilidade para que o público pudesse contribuir também, através do Catarse.

Para chamar a atenção das pessoas, eles escalaram o cantor Wando para fazer uma participação especial no vídeo de arrecadação. Além disso, quem doasse R$ 100 ao projeto ganharia uma calcinha autografada pelo cantor. O bloco saiu às ruas no último domingo (12/2), infelizmente alguns dias após o cantor ter falecido. Como não poderia deixar de ser, o Fogo & Paixão homenageou seu muso e “garoto propaganda”, promovendo uma chuva de calcinhas ao som do clássico que dá nome ao bloco.

Em clima de tributo também, mas calcado no rock, nasceu o Toca Rauuul. A ideia surgiu em abril do ano passado, quando o vocalista e cavaquinista Ricardo Dias contou aos seus amigos sua intenção de fazer uma homenagem ao ídolo baiano, Raul Seixas, em ritmos diferentes, do frevo a maracatu. Os sete amigos, fundadores do bloco, toparam na hora.

“Acreditávamos que muitos compartilhavam do nosso desejo e o sistema vem se provando uma das melhores maneiras de se envolver pessoas em um projeto de interesse mútuo”, declarou Eduardo Marques , um dos criadores do Toca Rauuul. Resultado: o projeto superou a meta de R$ 15 mil no Embolacha.

As recompensas pra quem contribuísse para a saída do bloco iam desde máscaras do cantor até um show privado da banda no lugar que o financiador escolhesse. De acordo com Marques, a estratégia foi fundamental. “É necessário criatividade na elaboração das recompensas e também uma dedicação diária na divulgação da campanha”, afirma. Para ele, este carnaval vai ser marcado pela prática de crowdfunding já que, além do Toca Rauuul, outros projetos do gênero também fizeram uso da plataforma.

Foi o caso do Bloco Cru, criado em 2008, a partir da “vontade de colocar tamborins nos Stones, nos Beatles, no Radiohead e de pular carnaval escutando o que a gente ama”, segundo a vocalista do projeto, Lu Baratz. Com alguns cliques no Youtube você consegue achar vídeos de versões do grupo para músicas como “Seven Nation Army”, do White Stripes, e “Killing In The Name”, do Rage Against The Machine.

A recepção do público nas ruas cariocas é maciça. Por isso, os organizadores resolveram apostar na plataforma de financiamento coletivo e por o projeto no Movere. “Essa é uma maneira de criar vínculo com o público. Quem nos prestigia e está intimamente ligado à possibilidade de realizar o projeto, contribui”, afirma Lu Baratz. “Acho que é bem legal esse tipo de vaquinha coletiva para o carnaval de rua carioca, porque nós não temos abadá, não cobramos ingressos, se mantém a rua pública. Essa é nossa cultura”.

Das ruas para o estúdio – Para os experientes Sobrinhos do Tio Bio, o foco foi diferente. Há sete anos saindo às ruas com composições próprias, eles decidiram que era hora de gravar um CD com as marchinhas compostas pela parceria entre Pedro Figueiredo e Pedro Vaz Duarte. Figueiredo, que também é ator e produtor teatral, já tinha vivido uma boa experiência com a plataforma, produzindo um espetáculo da companhia Teatro do Nada, que atingiu a meta de arrecadação no Movere. “Aí resolvi repetir a experiência no CD e ver se o sucesso seria o mesmo”, afirma.

No clima de recompensar quem contribuísse, eles ofereceram ingressos para o “grande baile pré-carnavalesco do bloco”. O único problema é quando eles fizeram a proposta, o baile era só uma promessa. “Não havia local, não havia banda, não havia nada, somente a vontade de realizar”, conta Figueiredo. No fim, o baile aconteceu e foi um grande sucesso, segundo ele. A festa impulsionou o projeto do CD, que foi lançado em janeiro.Rodrigo Maia, do Catarse, afirma que a prática essencial do financiamento coletivo sempre esteve presente na festa, “nas escolas de samba, que vendem a experiência de desfilar em troca da ‘recompensa’, nos bloquinhos carnavalescos, que se juntam e passam o chapéu com seus foliões, ou no espírito colaborativo que emana dos barracões e diversos blocos de rua”, ele explica.

Seguindo essa lógica, o bloco brega Fogo & Paixão resolveu apostar no crowdfunding. No ano passado, quando o bloco fez sua estreia, foi financiado pelos cerca de 80 integrantes que contribuem com uma verba mensal na época dos ensaios. Assim, os organizadores conseguiram pagar o estúdio e investir na infraestrutura do desfile-parado. Em 2012, a ideia foi abrir a possibilidade para que o público pudesse contribuir também, através do Catarse.

Para chamar a atenção das pessoas, eles escalaram o cantor Wando para fazer uma participação especial no vídeo de arrecadação. Além disso, quem doasse R$ 100 ao projeto ganharia uma calcinha autografada pelo cantor.

O bloco saiu às ruas no último domingo (12/2), infelizmente alguns dias após o cantor ter falecido. Como não poderia deixar de ser, o Fogo & Paixão homenageou seu muso e “garoto propaganda”, promovendo uma chuva de calcinhas ao som do clássico que dá nome ao bloco.

Em clima de tributo também, mas calcado no rock, nasceu o Toca Rauuul. A ideia surgiu em abril do ano passado, quando o vocalista e cavaquinista Ricardo Dias contou aos seus amigos sua intenção de fazer uma homenagem ao ídolo baiano, Raul Seixas, em ritmos diferentes, do frevo a maracatu. Os sete amigos, fundadores do bloco, toparam na hora.

“Acreditávamos que muitos compartilhavam do nosso desejo e o sistema vem se provando uma das melhores maneiras de se envolver pessoas em um projeto de interesse mútuo”, declarou Eduardo Marques , um dos criadores do Toca Rauuul. Resultado: o projeto superou a meta de R$ 15 mil no Embolacha.

As recompensas pra quem contribuísse para a saída do bloco iam desde máscaras do cantor até um show privado da banda no lugar que o financiador escolhesse. De acordo com Marques, a estratégia foi fundamental. “É necessário criatividade na elaboração das recompensas e também uma dedicação diária na divulgação da campanha”, afirma. Para ele, este carnaval vai ser marcado pela prática de crowdfunding já que, além do Toca Rauuul, outros projetos do gênero também fizeram uso da plataforma.

Foi o caso do Bloco Cru, criado em 2008, a partir da “vontade de colocar tamborins nos Stones, nos Beatles, no Radiohead e de pular carnaval escutando o que a gente ama”, segundo a vocalista do projeto, Lu Baratz. Com alguns cliques no Youtube você consegue achar vídeos de versões do grupo para músicas como “Seven Nation Army”, do White Stripes, e “Killing In The Name”, do Rage Against The Machine.

A recepção do público nas ruas cariocas é maciça. Por isso, os organizadores resolveram apostar na plataforma de financiamento coletivo e por o projeto no Movere. “Essa é uma maneira de criar vínculo com o público. Quem nos prestigia e está intimamente ligado à possibilidade de realizar o projeto, contribui”, afirma Lu Baratz. “Acho que é bem legal esse tipo de vaquinha coletiva para o carnaval de rua carioca, porque nós não temos abadá, não cobramos ingressos, se mantém a rua pública. Essa é nossa cultura”.

Das ruas para o estúdio – Para os experientes Sobrinhos do Tio Bio, o foco foi diferente. Há sete anos saindo às ruas com composições próprias, eles decidiram que era hora de gravar um CD com as marchinhas compostas pela parceria entre Pedro Figueiredo e Pedro Vaz Duarte. Figueiredo, que também é ator e produtor teatral, já tinha vivido uma boa experiência com a plataforma, produzindo um espetáculo da companhia Teatro do Nada, que atingiu a meta de arrecadação no Movere. “Aí resolvi repetir a experiência no CD e ver se o sucesso seria o mesmo”, afirma.

No clima de recompensar quem contribuísse, eles ofereceram ingressos para o “grande baile pré-carnavalesco do bloco”. O único problema é quando eles fizeram a proposta, o baile era só uma promessa. “Não havia local, não havia banda, não havia nada, somente a vontade de realizar”, conta Figueiredo. No fim, o baile aconteceu e foi um grande sucesso, segundo ele. A festa impulsionou o projeto do CD, que foi lançado em janeiro.